Militares do Sudão matam 11 cristãos a caminho da celebração de Natal

  • 05/01/2026
Militares do Sudão matam 11 cristãos a caminho da celebração de Natal
Militares do Sudão matam 11 cristãos a caminho da celebração de Natal (Foto: Reprodução)

Um ataque com drone realizado pelas Forças Armadas do Sudão (SAF) matou pelo menos 11 cristãos que seguiam para as celebrações de Natal no estado de Kordofan do Sul, segundo fontes.

Na manhã de Natal, pelo menos outras 18 pessoas ficaram gravemente feridas em um ataque contra membros da congregação que se dirigiam à Igreja Episcopal do Sudão, localizada em Julud (região de Biyam Jald), informou um advogado cristão da região.

“O prédio da igreja não foi atingido, mas uma congregação que marchava em direção à igreja foi alvejada”, disse o advogado ao Morning Star News, pedindo anonimato.

Segundo o Sudan Tribune, o Movimento Popular de Libertação do Sudão-Norte (SPLM-Norte), aliado às Forças de Apoio Rápido (RSF) na luta contra as Forças Armadas do Sudão (SAF), e a Aliança da Fundação informaram que 12 civis morreram e outros 19 ficaram feridos no ataque das SAF à área de “Biyam Jald”, no estado de Kordofan do Sul. A região está sob controle do SPLM-Norte.

“O drone teve como alvo civis que estavam celebrando o Natal”, informou o SPLM.

Onda de ataques

O ataque ocorreu após uma ofensiva com drones das Forças Armadas do Sudão (SAF) em 29 de novembro contra um centro médico na região de Kumi, no estado de Kordofan do Sul, que teria deixado 12 mortos e 19 feridos, incluindo mulheres e crianças.

Em 5 de dezembro, um novo ataque com drone atingiu a localidade de Ghadeer, em Kalogi, Kordofan do Sul, matando mais de 10 crianças de 5 a 7 anos dentro de um jardim de infância, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A situação no Sudão se agravou desde o início da guerra civil entre as Forças de Apoio Rápido (RSF) e as Forças Armadas do Sudão (SAF) em abril de 2023. Segundo o relatório Lista Mundial de Vigilância (WWL) 2025 da organização Portas Abertas, houve aumento no número de cristãos mortos e vítimas de violência sexual, além de ataques a residências e estabelecimentos comerciais cristãos.

“Cristãos de todas as origens estão presos no caos, sem poder fugir. Igrejas são bombardeadas, saqueadas e ocupadas pelos grupos em guerra”, afirmou o relatório.

Vítimas civis

Tanto as Forças de Apoio Rápido (RSF) quanto as SAF são grupos islamistas que atacaram cristãos deslocados, acusando-os de apoiar os combatentes da força rival.

Segundo o Projeto Joshua, 93% da população do Sudão é muçulmana, enquanto 4,3% seguem religiões étnicas tradicionais e 2,3% são cristãos.

O conflito entre as Forças de Apoio Rápido (RSF) e as Forças Armadas do Sudão (SAF), que dividiam o governo militar após o golpe de Estado de outubro de 2021, tem aterrorizado civis em Cartum e outras regiões, resultando na morte de dezenas de milhares e no deslocamento de mais de 12 milhões de pessoas dentro e fora do país, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUR).

O general Abdelfattah al-Burhan, das Forças Armadas do Sudão (SAF), e seu então vice, Mohamed Hamdan Dagalo, líder das Forças de Apoio Rápido (RSF), estavam no poder quando, em março de 2023, partidos civis concordaram com uma estrutura para retomar a transição democrática no mês seguinte. No entanto, divergências sobre a composição militar impediram a aprovação final.

Burhan buscava colocar as RSF – uma força paramilitar com origem nas milícias Janjaweed, que apoiaram o ex-ditador Bashir na repressão aos rebeldes – sob controle do exército regular em dois anos, enquanto Dagalo defendia que a integração ocorresse em, no mínimo, 10 anos.

Ambos os líderes militares têm raízes islâmicas, embora procurem se apresentar à comunidade internacional como defensores da democracia e da liberdade religiosa.

Lista Mundial de Perseguição

O Sudão ocupa a 5ª posição entre os 50 países onde é mais difícil ser cristão, segundo a Lista Mundial de Vigilância (WWL) 2025 da Portas Abertas, subindo em relação ao 8º lugar no ano anterior. Em 2021, o país havia deixado o top 10 pela primeira vez em seis anos, alcançando a 13ª posição.

Após dois anos de avanços na liberdade religiosa no Sudão, conquistados após o fim da ditadura islâmica de Bashir em 2019, a perseguição patrocinada pelo Estado voltou a assombrar o país com o golpe militar de 25 de outubro de 2021.

Depois que Bashir foi deposto, após 30 anos no poder, em abril de 2019, o governo de transição civil-militar conseguiu revogar algumas disposições da sharia (lei islâmica), proibindo a classificação de qualquer grupo religioso como “infiel” e, assim, eliminando as leis de apostasia que tornavam o abandono do Islã punível com a morte.

Com o golpe de 25 de outubro de 2021, os cristãos no Sudão passaram a temer o retorno dos aspectos mais repressivos e rigorosos da lei islâmica.

Em 2019, o Departamento de Estado dos EUA retirou o Sudão da lista de Países de Preocupação Especial (CPC, na sigla em inglês) – que inclui nações envolvidas ou coniventes com “violações sistemáticas, contínuas e flagrantes da liberdade religiosa” – e o colocou na lista de vigilância. O Sudão havia sido classificado como CPC de 1999 a 2018.

Em dezembro de 2020, o Departamento de Estado dos EUA retirou o Sudão da sua Lista de Vigilância Especial.

FONTE: http://guiame.com.br/gospel/missoes-acao-social/militares-do-sudao-matam-11-cristaos-caminho-da-celebracao-de-natal.html


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