Descoberta de pilar de 2.700 anos na Judeia pode confirmar guerra de Ezequias à idolatria
- 18/06/2026

Uma descoberta arqueológica feita em Tel Eton, na região da Sefelá da Judeia, em Israel, pode fornecer novas evidências de que as reformas religiosas atribuídas ao rei Ezequias realmente aconteceram, conforme descrito na Bíblia.
Pesquisadores identificaram uma enorme coluna cultual de aproximadamente 2.700 anos, conhecida em hebraico como massebah – uma pedra erguida utilizada em práticas religiosas no antigo Oriente Médio.
O objeto mede cerca de 1,4 metro de altura e pesa aproximadamente 750 quilos.
O estudo, publicado no Jerusalem Journal of Archaeology, foi conduzido pelo professor Avraham Faust, da Universidade Bar-Ilan.
Segundo o pesquisador, a forma como a pedra foi tratada sugere uma mudança deliberada nas práticas religiosas do Reino de Judá durante o século VIII a.C.
Pedra foi encontrada dentro de uma residência
A massebah foi descoberta em um edifício conhecido pelos arqueólogos como “Edifício 101”, uma grande residência que alguns especialistas chamam de “Casa do Governador”.
A pedra estava localizada no maior cômodo da construção, posicionada de forma visível para quem entrasse no local.
Porém, em algum momento antes da destruição da cidade pelos assírios, no final do século VIII a.C., ela foi cuidadosamente retirada de sua posição original e incorporada horizontalmente a uma plataforma de pedras.

Arqueólogos escavando a Sala C do Edifício 101 em Tel ‘Eton, na região sudeste da Sefelá da Judeia, em Israel. (Foto: Avraham Faust / Expedição Arqueológica de Tel ‘Eton)
Para Faust, esse detalhe é significativo.
“Os responsáveis pela mudança nas práticas religiosas podem ter desejado eliminar a função ritual da pedra e talvez quisessem que os antigos objetos rituais fossem profanados, mas as pessoas que realizaram a mudança parecem tê-la tratado com respeito”, afirmou o arqueólogo.
“Eles a removeram de uso sem destruí-la, neutralizando efetivamente seu significado de culto e preservando o objeto em si."
Reformas descritas na Bíblia
O achado chamou a atenção porque coincide cronologicamente com o reinado do rei Ezequias, governante de Judá entre os séculos VIII e VII a.C.
Segundo o relato bíblico, Ezequias promoveu uma ampla reforma espiritual, eliminando centros locais de culto e centralizando a adoração em Jerusalém.
O texto de 2 Reis afirma:
“Ele fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme tudo o que fizera Davi, seu pai. Removeu os altos, quebrou as colunas sagradas e derrubou os postes sagrados.” (2 Reis 18:3-4)
Entre os estudiosos, porém, existe um longo debate sobre se essas reformas. Eles consideram dois candidatos para a mudança radical nos cultos de Judá: Ezequias, no século VIII, e Josias, aproximadamente um século depois.
“Como se acredita que a reforma de Josias tenha ocorrido mais tarde, no século VII, ela não é realmente relevante”, disse Faust, “mas acredita-se que Ezequias tenha reinado no século VIII, então poderia fazer sentido.”
Até hoje, as principais evidências arqueológicas relacionadas às reformas de Ezequias estavam associadas a estruturas públicas, como os sítios de Arade e Berseba.
A descoberta em Tel Eton, no entanto, amplia essa discussão ao sugerir que as mudanças religiosas também podem ter alcançado o ambiente doméstico.
Evidência importante, mas não definitiva
Os pesquisadores ressaltam que a descoberta não prova de maneira conclusiva que a pedra tenha sido removida diretamente por causa das reformas de Ezequias.
Ainda assim, o contexto arqueológico oferece um raro vislumbre de um período de profundas transformações espirituais em Judá.
“O debate sempre se concentrou nos edifícios públicos dedicados ao culto”, explicou Faust. “Mas, se examinarmos cuidadosamente a arquitetura doméstica, talvez encontremos evidências adicionais."”
Para os estudiosos da arqueologia bíblica, a coluna encontrada em Tel Eton representa mais uma peça em um quebra-cabeça histórico que continua despertando interesse tanto de pesquisadores quanto de leitores das Escrituras.
Embora não encerre a discussão sobre a historicidade das reformas de Ezequias, a descoberta oferece um novo elemento para compreender como a fé e as práticas religiosas dos antigos habitantes de Judá podem ter sido transformadas em um dos períodos mais marcantes da história bíblica.










