CONIB lança plataforma para identificar e combater antissemitismo disfarçado
- 08/09/2026

A Confederação Israelita do Brasil (CONIB) lançou, na quarta-feira (02), na Unibes Cultural, em São Paulo, o Decodificando o Antissemitismo, projeto institucional permanente voltado à compreensão e ao enfrentamento das diferentes formas assumidas pelo ódio contra os judeus.
A principal entrega da iniciativa é o “Decodificando o Antissemitismo: Um Atlas de Tropos de Ódio, do Deicídio ao Genocídio”, resultado de uma ampla pesquisa histórica, sociológica e iconográfica, assinado por Anelise Fróes, Matheus Alexandre e Bruno Cardoni Ruffier, com prefácio da historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro.
A obra investiga como antigos estereótipos e narrativas antissemitas atravessam séculos, adaptam-se a diferentes contextos e reaparecem em discursos, imagens, memes e teorias conspiratórias.
“O Atlas procura oferecer ferramentas para que as pessoas consigam reconhecer o antissemitismo mesmo quando ele não aparece de maneira explícita. Muitos desses códigos têm raízes muito antigas, mas são continuamente atualizados e incorporados a novas linguagens e contextos. Conhecer essa trajetória é fundamental para conseguir identificá-los no presente”, destacou Anelise Fróes, doutora em Antropologia Social e uma das autoras da publicação.
Durante o lançamento, murais interativos permitiram ao público conhecer exemplos dos tropos analisados e compreender a metodologia utilizada na pesquisa.
Um dos destaques do projeto é a nova Plataforma de Combate ao Antissemitismo, que amplia significativamente o acesso ao conteúdo produzido pela CONIB. Disponível em www.combateaoantissemitismo.org.br, o portal reúne o conteúdo integral do Atlas e mais de 2 mil imagens, além de podcasts, videoaulas, biblioteca educativa, relatórios sobre o antissemitismo no Brasil e no mundo, guias, cartilhas e documentos. A plataforma também disponibiliza um canal de denúncias e foi concebida como um ambiente permanente de informação, educação e mobilização, destinado a pesquisadores, educadores, estudantes, jornalistas, profissionais de diferentes áreas e à sociedade em geral.
Para Rony Vainzof, diretor responsável pelo Projeto Nacional de Enfrentamento ao Antissemitismo da CONIB, um dos desafios é justamente identificar manifestações de preconceito que aparecem de maneira codificada. “Esse conteúdo antissemita pode ser traduzido e revelado por meio de memes, entre os exemplos estão o uso de uma caixinha de suco para fazer referência a judeus ou de um emoji com cifrão para reproduzir o antigo estereótipo que associa judeus à avareza”. Andrea Vainer, que também está à frente do projeto, ressaltou o caráter educativo e permanente da iniciativa: “Queremos transformar conhecimento em prevenção e enfrentamento. Quanto mais pessoas estiverem preparadas para identificar essas manifestações, inclusive aquelas que aparecem de maneira disfarçada ou aparentemente normalizada, maior será nossa capacidade de impedir que o preconceito avance”.
O lançamento ocorre em um cenário de forte disseminação do antissemitismo, especialmente no ambiente digital. Segundo o Relatório Anual sobre Antissemitismo no Brasil 2025, da CONIB, 80,9% das ocorrências registradas no país aconteceram em plataformas digitais. O monitoramento identificou 115.970 menções classificadas como antissemitas, com alcance potencial estimado em 66 milhões de pessoas. Ao reunir pesquisa histórica, educação, monitoramento, denúncia e ferramentas digitais em uma mesma iniciativa, o Decodificando o Antissemitismo busca não apenas documentar o fenômeno, mas contribuir para que seus códigos sejam reconhecidos e enfrentados antes que se naturalizem no debate público.
Acesse a Plataforma de Combate ao Antissemitismo:
www.combateaoantissemitismo.org.br
Silas Anastácio (@silasas15) é uma figura de destaque no fomento das relações entre o Brasil e Israel. Autor, articulador, palestrante e estrategista institucional, trabalha para fortalecer o diálogo entre líderes, defender a liberdade religiosa e combater o antissemitismo. Suas iniciativas interligam as esferas cultural, diplomática e social, reforçando a cooperação entre comunidades e instituições.
* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
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