A vida que desperta

  • 08/09/2026
A vida que desperta
A vida que desperta (Foto: Reprodução)

Introdução: um mês que nasce de muitas cores

Setembro chega com uma nova estação (22). O calendário nos apresenta a Primavera e, com ela, vários convites,  principalmente o de despertar. Mas setembro também chega colorido de propósito, porque é o mês em que o mundo para para olhar a vida.

O laço amarelo lembra que toda vida importa, e que falar da dor é o primeiro passo para curá-la (10 de setembro — Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, o coração do Setembro Amarelo). O verde acolhe quem é diferente (21 de setembro — Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, o Setembro Verde).

O vermelho cuida do coração (o Setembro Vermelho, dedicado à saúde cardiovascular). O dourado abraça as crianças que lutam (o Setembro Dourado, de conscientização sobre o câncer infantojuvenil).

O roxo une quem enfrenta o invisível (o Setembro Roxo, da fibrose cística). Cada cor é um grito silencioso: sua vida importa.

E é exatamente aqui que começa a nossa série de setembro — O Florescer da Vida. Porque, antes de florescer, é preciso despertar. E em 7 de setembro, celebramos a Independência — a liberdade de viver. Não apenas a liberdade de um país, mas a liberdade de uma vida que desperta do sono do medo, da apatia e do desânimo para ter e gerar vida e propósito.

 

I - O que é despertar, na prática

Despertar é abrir os olhos para a própria vida. É perceber e reconhecer que o dia começou, que há sol, que há chance. Despertar é o instante em que deixamos de apenas existir e começamos a viver, quando a rotina deixa de ser um peso e volta a ser um presente.

Mas despertar não é um evento único. É um movimento diário. Acordar é biológico; despertar é espiritual e emocional. Há pessoas que acordam todos os dias e continuam dormindo — dormindo para a própria dor, para o próprio valor, para a vida que Deus lhes deu. Despertar é decidir que hoje você vai viver, não apenas sobreviver.

 

II - Fundamento Bíblico: o chamado para acordar

A Escritura fala desse despertar com uma urgência que atravessa os séculos. Em Efésios 5:14, Paulo clama: "Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará." E em Romanos 13:11, ele insiste: "já é hora de despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé."

Repare: o despertar não é um favor que merecemos é uma ordem que recebemos por amor. Deus não nos deixa dormir para sempre. Ele acende a luz, chama pelo nome e espera que abramos os olhos.

E há um mistério profundo nesse despertar: a Santa Ceia. Quando Jesus instituiu a Ceia, Ele disse: "Fazei isto em memória de mim" (Lucas 22:19). A Ceia é o memorial que nos mantém espiritualmente acordados porque nos faz lembrar de quem somos, de quem nos salvou e do preço que foi pago por nossa vida.

Quem participa da Ceia com o coração desperto não esquece o valor da própria vida nem da vida do irmão. A Ceia é o despertar que se repete: a cada vez que a tomamos, acordamos de novo para a graça.

Há, porém, um contra ponto precioso que precisamos entender: existe um sono que é bom  o sono reparador. Deus mesmo projetou o descanso; o próprio Jesus dormiu. Dormir não é pecado; é necessidade. O problema não é o sono do corpo, que nos restaura a vitalidade para acordarmos renovados. O problema é o sono da alma, aquele que nos faz viver como se Deus não existisse, como se nossa vida não importasse.

O sono reparador nos prepara para acordar; o sono da alma nos mantém adormecidos com olhos abertos que muitas vezes não vêem. A Ceia nos ajuda a distinguir um do outro: descansar no Senhor é diferente de dormir longe dEle.

E há um eco lindo disso no próprio 7 de setembro: a independência que celebramos é sombra da independência que Cristo conquistou para nós  a liberdade de uma vida que não é mais escrava do medo, da culpa e da morte. Aliás quando olhamos para uma vida com Deus o nosso grito de alma é outro: DEPENDÊNCIA DE DEUS E VIDA!

 

III - Perspectiva da Neurociência: o cérebro que pode despertar

A ciência confirma o que a Escritura já anunciava: é possível despertar. A neuroplasticidade é a capacidade do cérebro de se reorganizar e criar novas conexões ao longo de toda a vida e mostra que nenhum estado é definitivo.

Quem se sente preso à apatia, à tristeza ou ao desânimo não está condenado a permanecer ali. O cérebro pode ser treinado a enxergar a vida de novo.

Cada pequena escolha de despertar:  levantar, respirar, buscar ajuda, abrir a janela, orar  acende novas trilhas neurais. A esperança não é um sentimento vago; é um processo biológico e espiritual de reconstrução. Ninguém é um caso perdido para Deus, somos cérebros e corações em processo de despertar.

 

IV - E quando NÃO despertou?

Aqui, paramos para abraçar quem sente – agora em sua vida - que ainda não despertou. Talvez você esteja lendo isto e pensando: "mas eu não despertei. Eu não floresci. Eu não consegui." E é exatamente para você que este tópico existe.

O primeiro passo para o despertar que esperamos é ter a coragem de admitir que ele ainda não aconteceu. Não há vergonha nisso há verdade. Admitir "eu não despertei" não é fraqueza; é o começo de tudo. É só quando reconhecemos onde estamos que podemos começar a caminhar para onde queremos chegar. Quem finge que está bem, quando não está, adia o próprio despertar; quem admite, abre a porta para ele.

Há quem desperte cedo e há quem desperte tarde; há quem desperte aos poucos, em silêncio, quase sem perceber. A frustração de não ter despertado ainda não é o fim da história; é o começo dela. O fato de você estar lendo, de ainda estar aqui, já é um despertar em movimento.

Se você tem sentido a dor de não ter florescido, de ter involuído, de ter se afastado: saiba que a involução não apaga a sua história. Ela apenas a reescreve e o próximo capítulo ainda está em branco, esperando por você. Despertar não é chegar; é começar a caminhar. E começar hoje, do ponto em que você está, já é despertar.

Se essa dor estiver pesada demais para carregar sozinho, dê o passo mais corajoso de todos: peça ajuda. Falar com alguém de confiança, com um profissional, ou ligar para o CVV (188) não é fraqueza é o despertar mais forte que existe. Sua vida importa, e há quem queira caminhar com você. Em sua família, comunidade, igreja local, trabalho existem pessoas que podem ser instrumentos poderosos em sua jornada de florescimento nesta estação de sua vida. Todos nós temos áreas e situações que também não florescemos o que fazemos com isso é que determinará a “nossa particular primavera”.

 

V - Para Pensar e Agir

1. Há algo em você ainda está "dormindo" — um sonho, um dom, uma parte da sua vida que você deixou de viver?

2. Qual cor de setembro mais toca a sua história hoje: o amarelo da vida, o verde do acolhimento, o vermelho do coração, o dourado da luta, o roxo da coragem?

3. Você tem se tratado com a mesma compaixão que teria com alguém que você ama que ainda não despertou?

4. Você já admitiu, com sinceridade, se o despertar ainda não aconteceu na sua vida? Se ainda não, este é o primeiro passo.

5. Compreender a diferença essencial: você pode ter sido vítima de algo — de uma dor, de uma perda, de uma injustiça, de uma circunstância que não escolheu. Ser vítima é uma realidade que merece acolhimento e compaixão, e Deus vê a sua dor. Mas ser vítima não nos autoriza a nos vitimizarmos e a nos trancarmos na queixa, a usar a dor como desculpa para não despertar, para não buscar ajuda, para não viver. A diferença é esta: reconhecer a dor é o primeiro passo da cura; alimentar a vitimização é o que nos mantém adormecidos. Você foi ferido, talvez — mas você não foi feito para ficar no chão. Levante, dê um passo, peça ajuda.

6. Ação prática: hoje, faça um gesto concreto de despertar — uma caminhada ao ar livre, uma conversa verdadeira, uma oração, ou um telefonema a alguém que você quer ver despertar. Pedir ajuda é despertar.

"Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará." — Efésios 5:14

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." Fernando Pessoa

 

Vamos orar juntos?

"Senhor, obrigado porque este mês me lembra que a minha vida importa. Se eu ainda não despertei, desperta-me agora não com culpa, mas com amor. Se eu estou na frustração de não ter florescido, mostra-me que ainda é tempo. Dá-me a coragem de admitir onde estou, de pedir ajuda quando a dor pesar, e de estender a mão a quem também precisa despertar. Que eu viva, de verdade, a vida que Tu me deste. Amém."

Importante: Se este conteúdo agregou em sua jornada e tocou o seu coração, compartilhe. Você pode ser o "despertar" de alguém que está dormindo — alguém que precisa ouvir, hoje, que a vida dele importa. Convide essa pessoa a caminhar conosco nesta série.

QUE VENHA A PRIMAVERA... e que a vida desperte!

 

Rosana Sá (@rosanasa_oficial) é mentora executiva, professora universitária, CEO da Cyclos Consultoria e autora do livro Ativando Mulheres: Do Secreto ao Legado Através do Discipulado. Especialista em comportamento, neurociência e liderança, atua como palestrante e conferencista. Na IMW, serve ao Senhor como Diretora Geral de Ministérios, conduzindo líderes e equipes com propósito.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: A estatura que coroa a jornada

FONTE: http://guiame.com.br/colunistas/rosana-sa/vida-que-desperta.html


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